segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ainda não





Você se foi? Mesmo?
Não! Me espere por gentileza!
Esse aceno distante não vale. Esse Adeus ao telefone, é dos jogos mais sujos.

Eu não estou pronta pra te abandonar.
Desculpa amor, mas parecia tão mais fácil quando eu disse isso em voz alta.
Quando eu disse pra você me deixar ir.

Não.
Eu tenho tantos beijos doces pra te entregar
Afagos ainda aprisionados em meus braços
Que só podem ser libertados sobre o calor do seu aperto.

Venha.

Não fique triste por nós.
Não lamente por mim.
Olha só, eu não irei mais chorar.
Juro.
Sem lamentos de minha parte
Sem soluços engasgados ou pés presos ao caminho do fim.

Que fim?
Não existe fim não querido, você permanece
Em cada pedacinho que sou.

Fique.

Não desista do que ainda não foi.
Não desista do que pode ser.
Lembre-se das poucas horas de laço
Do nosso apego e cheiro.
Lembre-se, foi bom, muito bom.

Com as estrelas do céu da boca se misturando.
Com a gravidade se condensando em um único ponto.
Com o ciclo, sem meio ou fim.
Apenas a continuidade.
Confluência de energia.

Saudade.
Você as tem tanto quanto
eu
sei.
Deixa-as ai contigo, se alimente das lembranças nubladas.
Das mãos se enlaçando, com a barba arranhando as sardas de minha pele.

Renovemos, por novos detalhes no futuro.
Massageie minhas costas
Morda meu ombro branco e nu
Segure meu rosto próximo ao seu.

Me peça pra ficar.
Me obrigue.
Me segure pelos braços,
docemente.

Não me deixe ir.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O aceno que não se cumpre




Foi assim
O suspiro de seu beijo marcou a pele tatuada
O cheiro, preso nos cabelos cheios de nós
Lágrimas, olhares dolorosos, e um aceno.

Eu te amo
mas não quero-o mais.

Não quero mais amá-lo,
Não quero mais perder noites de sono
Não quero mais o desalento

Eu preciso sim de retribuição
De sentir a troca mútua de dedicação
De dividir, de respirar seu ar.
Eu quero mais, muito mais.
E não o terei.

Preciso ir e não consigo dizer o adeus
Despedida amarga que não consegue escapar aos lábios.
Desilusão barata, com a decepção da vida te dizendo “vai dar errado”.

E deu, tão certo e tão errado.
Com todos os clichês que podem caber a essa história.
Erros juvenis e previsíveis
Tais como os romances trágicos de folhetim.

Acenar, não olhar, ter a coragem do afastamento.

Preciso me curar, me vacinar, tomar doses dolorosas de injeções anti-você.
Tomar o xarope amargo chamado admitir o fim.

Vê? Eu sei a receita da cura.
Eu sei, racionalmente, as etapas que devo cumprir.
Preciso sair do seu ritmo gravitacional.

Hei de levar o amor embora, batendo a porta estourando a fechadura.

Mas ainda não, falta a coragem de te deixar ir.
Mesmo você não querendo ficar.
 
Me dê tempo, não vá antes de mim.

Libertação



Existem coisas que acontecem na vida da gente que não sabemos como carregar. Que o fardo que elas provocam, o peso no peito e a falta de ar, nos impedem de ser livres.

Ah, a doce liberdade do sentir. De amar, de retribuir e de compartilhar, com o outro ou apenas com a solidão.

Eu não me sinto assim há tempos.

Restou apenas o sentimento me corroendo as entranhas e envenando o pouco que me sobrou. Com as lágrimas incessantes, com esse amor que dominou sentidos e razão, que levou a uma confusão plena de perder o prumo. Eu não quero mais o fardo, caro amigo. Essa garota aqui, ta beijando a lona. Está dando três tapas no chão e pedindo arrego.

Recebe e não compartilha mais nada com o mundo, pois, está ocupada com a própria avalanche emocional.

Moça, você precisa se libertar.


sábado, 8 de novembro de 2014

Sorriso ao sono



Ah, doce olhar
Olhar brando como suas mãos pequenas.

Suave.

Os cabelos em cascata,
Castanhos e vermelhos dourados, mesclados ao redemoinho de lençóis
Com abraços silenciosos, mergulhados na quietude.

Um assobio leve nos acorda, e percebo, ainda com mãos enlaçadas.
Com memórias recentes grafitadas nas paredes do quarto
Com o Napoleão ainda grudado em teu braço.

Ah, moço
Do cabelo encaracolado,
De olhar triste e preocupado
Do sorriso lindo que desmonta.

Escuta? É a tua mente que não para de palpitar.
Teu coração, não sossega no lugar.

Depois de três incensos teu perfume sumiu
Só o perfume, o resto ficou. Que bom.

Vai lá urso, a corça se mantém por aqui.
Leva todo o amor que houver
fica fora da caverna, 
e
banha o mundo com a sua paz.
Lembra, o mundo é seu.